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Hérnia de Disco Torácica


A hérnia de disco torácica está localizada no meio da coluna, entre a coluna cervical e a coluna lombar e os seus principais sintomas são:

  • Dor no meio da coluna que pode irradiar para as costelas;

  • Perda de força das pernas;

  • Dificuldade para segurar a urina;

A gravidade dos sintomas depende da localização exata da hérnia e da intensidade com que os nervos estão sendo comprimidos, sendo importante consultar o ortopedista ou o neurocirurgião na presença desses sintomas, para que seja possível ser feita uma avaliação e ser indicado o melhor tratamento.


A incidência de hérnia discal sintomática é de 1 caso por milhão de habitantes/ano no brasil. A maioria das herniações não provoca sintomas. A herniação discal torácica representa 0,25 à 0,75% de todas as protrusões discais e menos que 4% das cirurgias para hérnia de disco e 80% dos casos ocorrem entre 30 e 50 anos de idade. Geralmente localiza-se abaixo de T8 devido a maior mobilidade deste segmento. Quanto à localização, 94% são centro-laterais e 6% laterais. Em 65% dos casos são calcificadas. O exame de escolha para diagnóstico e acompanhamento é a RNM da coluna torácica permitindo avaliar as estruturas disco-ligamentares além de ajudar a inferir sofrimento neurológico mielo ou radicular.


Tratamento

As principais indicações cirúrgicas são: radiculopatia refratária ao tratamento clínico e mielopatia compressiva. Siringomielia sintomática no nível da herniação discal também pode indicar cirurgia.

A cirurgia para hérnia de disco torácica é particularmente difícil devido a: dificuldades dos acessos anteriores, canal vertebral estreito nessa topografia, hérnias calcificadas e por apresentar geralmente localização centro-lateral. As principais abordagens cirúrgicas são:

– Abordagem anterior toracoscópica videoassistida;

– Abordagem pósterolateral (costotransversectomia, tanspedicular);

– Abordagem anterolateral (transtorácica);

– Abordagem lateral extra-cavitária.


De maneira geral as hérnias laterais, “moles” e localizadas na região torácica inferior podem ser abordadas pela via posterior. No entanto, herniações centrais e calcificadas são melhor tratadas por abordagem anterior ou anterolateral. A laminectomia isolada para essa patologia apresenta taxa de morbidade neurológica elevada com resultados clínicos precários, portanto, não é mais recomendada.

Os fatores que ditam a escolha da melhor abordagem cirúrgica são: local da herniação (central, lateral ou foraminal), quadro clínico, experiência do cirurgião e os recursos tecnológicos disponíveis. O uso de monitorização intra-operatória com potenciais evocados somatosensitivos é de grande valor para evitar novos déficits decorrentes da cirurgia.

As principais complicações cirúrgicas são: atelectasia, pneumonia, piora do déficit neurológico e lesão dural com risco de fístula e meningite.


Referências Bibliográficas

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