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Artigo: Cirurgia menos invasiva da coluna é tendência


Por Prof. Dr. Luiz Pimenta

Há muitos anos, as cirurgias minimamente invasivas deixaram de ser procedimentos experimentais; hoje elas já são realidade. Podemos citar as cirurgias minimamente invasivas feitas por endoscopias e por via percutânea, nos acessos abdominais e nas articulações. Na área da coluna vertebral, essas cirurgias são possíveis para casos selecionados de várias patologias, como hérnia de disco, degenerações discais, compressões, escolioses e escorregamento vertebral, entre outras.

Os objetivos de uma cirurgia menos invasiva devem ser os mesmos de uma cirurgia tradicional. Porém, ao contrário do que pode parecer à primeira vista, realizar um procedimento com menos invasão não necessariamente quer dizer que a cirurgia é feita por um pequeno corte ou com ajuda de câmeras ou microscópios. Em linhas gerais, essas técnicas minimamente invasivas se preocupam em causar o menor dano possível aos elementos internos do corpo que estão saudáveis. Assim, podemos ter um efeito positivo do procedimento cirúrgico diminuindo os efeitos colaterais imediatos ou em longo prazo.

Para os pacientes, os benefícios são diversos: menor perda sanguínea, menor necessidade de internação em UTI, menor tempo de estadia hospitalar, retorno mais rápido às atividades diárias e ao trabalho. Com o paciente se movimentando e andando mais rápido, pretendemos evitar complicações relacionadas aos longos períodos acamado: infecção hospitalar, doenças pulmonares, trombose, além da potencial diminuição de custos ao paciente, hospital e convênio (público ou privado). Com menor agressão cirúrgica, alguns pacientes mais idosos ou mais debilitados, que não poderiam ser submetidos a cirurgias tradicionais (mais agressivas), podem ser beneficiados.

A incorporação de novas tecnologias para melhoria de resultados na saúde já é realidade em alguns locais do Brasil. Entretanto, o avanço da divulgação desde procedimento, da aparelhagem dos estabelecimentos de saúde, do treinamento e educação adequados ainda é um ponto limitante na difusão dessas técnicas, em especial longe dos grandes centros. A implementação inicial e o custo imediato precisam ser balanceados com a redução de custos indiretos e a médio prazo. É fundamental romper paradigmas e analisar a relação custo/benefício real a longo prazo para disponibilizar melhores tratamentos com menor impacto físico e social.

* Luiz Pimenta é diretor do Instituto de Patologia da Coluna (IPC), presidiu a Sociedade Internacional para o Avanço da Cirurgia da Coluna (ISASS) e é professor associado da Universidade da Califórnia, em San Diego (UCSD).



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